Usina de cana-de-açúcar é fiscalizada.
Fonte: Megaminas

Faltam equipamentos de segurança e há suspeita de trabalho escravo em Araxá e Ibiá.

O Ministério Público Federal fiscaliza usina de cana-de-açúcar no Alto Paranaíba. A denúncia é de falta de equipamentos de segurança e trabalho escravo.

Fiscais e procuradores do Ministério Público Federal verificaram vários canaviais da usina de álcool em Araxá e Ibiá. Na hora do almoço a garrafa térmica tem outra função e nas marmitas a comida é fria. O banheiro, que é improvisado no ônibus, está quebrado.

Os trabalhadores ganham, em média, R$520 por mês. Eles recebem por produção, mas como não sabem o preço da cana-de-açúcar e o quanto colhem, já que a usina não informa, não conseguem prever o salário.

As botas de muitos estão em péssimas condições. Eles não têm equipamentos de segurança e trabalham o dia todo expostos aos riscos de acidentes. Segundo os fiscais, a maior parte do acordo coletivo, fechado em 2008, a usina de álcool não tem cumprido. Muitos nem conheciam alguns benefícios, como a cesta básica, que está no acordo coletivo.

Segundo Geraldo Emediato de Souza, procurador Ministério Público Federal, as condições são as piores. “Deveria ter água potável, entre outros”, ressalta.

A empresa tem 500 funcionários, a maioria de outros estados, trabalhando desta forma nos canaviais. Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, as condições caracterizam como trabalho escravo.

O problema é antigo. Em agosto do ano passado o MGTV 2ª Edição mostrou a greve dos funcionários pedindo melhorias, equipamentos de segurança e fim dos atrasos no pagamento.

O promotor Geraldo de Souza disse que a empresa já assinou outros termos de ajustamento de conduta e que vão analisar o trabalho escravo, além de acionar Ministério do Trabalho para retirá-los do local.

Representantes da empresa acompanharam a fiscalização, mas não quiseram gravar entrevista. O diretor jurídico da empresa, Laurence Borges, informou que o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Araxá não está apto para representar os funcionários da usina, localizada em Ibiá. Sobre as denúncias, ele disse não ter conhecimento, mas assim que for informado vai esclarecê-las.



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