Fiscalização do Ministério do Trabalho interdita quatro empresas em SP
Fonte: G1 -30/01/2009

No Setor de Chácaras da Estrutural, há duas ilegalidades. A primeira é a queima de árvores nativas do cerrado, a segunda é o uso de madeira não autorizada para fazer carvão. Na noite da última quinta-feira, dia 28, a reportagem do DFTV acompanhou o inicio da fiscalização da Subsecretaria de Defesa do Solo e da Água (Sudesa) na área onde existe uma indústria de carvão clandestino a céu aberto.

A operação continuou na manhã desta sexta-feira, dia 29. “Fomos fazer um levantamento da área, saber exatamente onde está ocorrendo o problema e identificamos alguns pontos em andamento”, explica o diretor executivo da Sudesa, major Gouveia. Ele conta que, quando a equipe de fiscalização chegou, algumas pessoas trabalhavam e saíram correndo. Mas foi possível encontrar ensacamento de carvão já prestes a ser vendido. O major ainda relata que há denúncias de trabalho escravo e infantil no local. “A maioria dos fornos é subterrâneo, próximo a vegetações que, com calor intenso, soltam um cheiro característico, o que dificulta a descoberta da carvoaria pelo cheiro da fumaça”, acrescenta.

Crime ambiental

A fogueira que se vê de longe em meio à escuridão é o primeiro sinal: tem carvoaria por perto. Ao lado, pilhas da madeira, a matéria-prima pra esse carvão. “Como a gente vê, é um resíduo sólido em local inadequado. Então, nós temos uma característica específica de crime ambiental. Para a queima de carvão já temos uma outra caracterização de crime ambiental”, afirma o capitão Fábio, da Subsecretaria de Defesa do Solo e da Água. Os fornos ficam entre as estradas de chão batido que cortam o cerrado. Conforme os fiscais avançam, é possível perceber que a indústria clandestina está em plena atividade. Esse é um tipo de crime que acontece na calada da noite. Os fiscais e a equipe do DFTV encontraram nos fundos da Estrutural um forno prontinho, recém-feito, para ser queimado a qualquer momento.

Os carvoeiros abrem uma vala no chão, fazem o buraco, e depois empilham o material, que é resíduo de construção. É madeira com prego, restos de cimento, tem até madeira com tinta também. E todo esse material é queimado durante seis, oito horas. E os restos disso é que servem pra fazer o carvão clandestino. Ao redor do forno, canos de cerâmica pra sair a fumaça. Por onde os carros não passam, é preciso ir a pé. Alguns fornos ficam mais escondidos. Nos galhos de uma árvore, foi encontrado um par de luvas de um carvoeiro. Em seguida, sacos de carvão prontos pra venda. Normalmente, comercializados a R$ 2.

Muita gente compra porque é barato: um produto sem licença nem origem comprovada e altamente tóxico. Os fiscais e a equipe do DFTV também acabaram encontrando um forno em pleno funcionamento. E tinha indício de que há pouco tempo tinha gente no local. Era possível ver pelas manchas de água que foram jogadas no forno. Já que esse é o processo de resfriamento do carvão. Mais adiante, os fiscais encontram um outro forno escondido: esse sim no último estágio. Olhando inicialmente parece só um monte de terra, mas por baixo há placas de metal pra conservar o calor. Retirando uma por uma, é possível ver o carvão pronto. Logo iria ser ensacado e vendido no comércio. A venda de carvão sem licença é crime e prevê pena de seis meses a um ano de detenção. Ninguém foi preso.

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