Barragens de resíduos também devem ter monitoramento

Fonte: Megaminas

Além das barragens comuns, há um outro tipo, a de resíduos - importante para as indústrias liberarem seus rejeitos. Como as outras, elas também podem significar perigo se não forem bem construídas. É preciso monitoramento constante, principalmente em época de chuva.

A construção de uma barragem muda o cenário da região. Traz progresso, tecnologia e emprego. Especialistas também apontam uma melhora na qualidade da água e a regularização do fluxo do rio, tanto nos períodos de seca como nas cheias. Por outro lado, essas construções acabam causando danos ao meio ambiente.

Às vezes pode acontecer algo ainda mais grave. De acordo com o professor de Engenharia Civil da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e geotécnico, Enivaldo Minette, os cuidados são sempre colocados no projeto, previsão de riscos, mas um acidente pode acontecer. E quando acontece são catastróficos.

É o caso das barragens de rejeitos. Os estragos ocasionados por um rompimento são enormes. Um exemplo disso foi o que aconteceu em Cataguases, em 2003. Mais de um bilhão de litros de resíduos químicos de uma fábrica de papel foram derramados no Rio Pomba. A enxurrada, de cor escura, varreu tudo que encontrou pela frente, inundou pastos, matou animais, prejudicou mais de 350 famílias.

A empresa enfrentou cerca de 11 mil ações judiciais, mas só em metade delas houve acordo. A equipe de reportagem da TV Panorama tentou conferir a situação atual das barragens, mas o acesso não foi permitido. O advogado da Companhia garante: em breve as duas barragens que armazenam lixívia serão desativadas, compromisso firmado com o Ministério Público Federal.

O advogado da Florestal Cataguases, Serafim Couto Spíndola, ressalta: 'A lixívia armazenada lá é uma lixívia que não tem utilidade. A empresa Florestal Cataguases não colocou uma gota sequer de lixívia naquele local. Então a barragem na posição que está é um risco iminente, ainda mais com a proximidade das chuvas', diz.

Em Miraí, uma tragédia parecida também trouxe prejuízos à população. Em março de 2006, uma placa de concreto da barragem de uma empresa de mineração se rompeu despejando 400 milhões de litros de lama em córregos e rios. Centenas de peixes morreram. Menos de um ano depois, em janeiro de 2007, um novo desastre ecológico ainda maior: o vazamento de dois bilhões de litros de rejeitos de bauxita transformou a cidade num cenário de catástrofe com barrancos e pastagens destruídos, casas e lojas inundadas. Em alguns pontos a lama atingiu mais de um metro e meio.

Cinco mil pessoas em Miraí ficaram desalojadas. A lama também atingiu Muriaé e algumas cidades do Rio de Janeiro, prejudicando o abastecimento de água.

A mineradora responsável pelo empreendimento já gastou cerca de R$30 milhões em indenizações e ainda há milhares de processos de moradores de Muriaé sendo discutidos na justiça. Hoje, a barragem não existe mais. Ela ficava em uma área que foi recuperada. Quase três anos depois do acidente só sobrou o antigo vertedouro que está coberto pelo mato.

Perto dessa barragem, uma outra foi construída e já está funcionando. De acordo com o assessor de comunicação da Mineração Rio Pomba, Domingos Ciribelli, tudo foi feito de forma a minimizar os riscos de novos rompimentos.

É possível garantir que não haja mais acidentes? O superintendente regional de meio ambiente, Danilo Vieira Jr., acredita que não. Rompimentos e chuvas bem acima do esperado podem ocorrer e contribuir para os desastres. E a fiscalização é complicada. Basicamente é feita levando em consideração relatórios elaborados por auditorias contratadas pelas próprias empresas. Segundo ele, até o momento, não existe nenhum relatório que aponte para os riscos de acidente nestas barragens da Zona da Mata e de Minas Gerais.

Mas para o professor de Engenharia Agrícola da UFV e especialista em pequenas barragens, Márcio Mota Ramos, ainda é pouco. Para ele deveria ser feito um programa de regularização dos projetos e um programa de manutenção preventiva destas obras.



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