Embrapa desenvolve embalagem comestível

Fonte: Ciência Hoje Online

Cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estão empenhados na produção de embalagens comestíveis que prometem conservar frescos por mais tempo alimentos como frutas, verduras e queijos. A tecnologia, que ainda está em fase de testes, é uma alternativa às embalagens de plástico sintético. Produzidas em forma de filmes, as embalagens comestíveis são uma espécie de plástico natural que, quando aplicado sobre a superfície dos alimentos, retarda a perda de água e as trocas gasosas entre o alimento e o ambiente, aumentando o tempo de vida do produto.

Em Fortaleza (CE), pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical desenvolvem filmes feitos com purês de frutas para aplicação nesse tipo de alimento. Esses materiais são quase transparentes e podem ter sabor e aroma idênticos ao da fruta com que são feitos. Em São Carlos (SP), pesquisadores da Embrapa Instrumentação Agropecuária desenvolvem filmes à base de proteínas do milho – chamadas zeínas – e quitosana, polissacarídeo extraído da casca dos crustáceos que, além de prolongar a vida do alimento, tem ação antibacteriana e fungicida.

Para a aplicação do filme, o alimento é banhado em uma solução que depois de seca vira uma película de espessura finíssima, em torno de 0,1 mm. Essa cobertura age como uma barreira que impede o alimento de oxidar e perder umidade. “Os filmes comestíveis podem tornar os alimentos mais atraentes, pois lhes dão brilho e uma melhor integridade estrutural”, afirma a engenheira de alimentos Henriette Azeredo, da Embrapa Tropical.

Os filmes comestíveis já são bastante usados em países como Japão, Canadá, Estados Unidos e Alemanha, mas no Brasil ainda não chegaram ao mercado. “A tecnologia já está pronta e tem bastante gente interessada, mas o que limita seu uso é o alto custo dos filmes”, diz Odílio Garrido de Assis, pesquisador da Embrapa que atualmente trabalha com o filme de quitosana para aplicação em maçãs fatiadas. “Mesmo com a grande perda na produção de frutas e verduras no Brasil, os produtores ainda lucram. Então, essa tecnologia, por ser cara, não é procurada por eles”.


 


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