Governo defende uso de novo bafômetro

Fonte: DCI

O combate à direção alcoolizada no trânsito do Estado de São Paulo ganha um novo aliado este ano: o alcoolímetro veicular, equipamento de 'bafômetro' acoplado à trava que impede a partida do carro se o ar soprado pelo motorista apresentar teor alcoólico.

O Conselho Estadual para Diminuição de Acidentes de Trânsito e Transporte (Cedatt) se reuniu ontem com a empresa AlcooDrive, fabricante exclusiva do aparelho na América Latina, e afirmou que apoia a utilização do aparelho e fez a recomendação de seu uso às empresas paulistas e à Secretaria Estadual de Transportes. "É uma recomendação do Conselho que seja adotado esse aparelho para as frotas de táxi, caminhões, no transporte urbano, nas cidades e nas rodovias", afirmou Fábio Racy, secretário executivo do Cedatt.

Atualmente testado por cerca de 50 empresas que atuam no País, o alcoolímetro será comercializado oficialmente pelo valor de R$ 1.190, a partir do mês de agosto. Segundo o diretor de relações institucionais da AlcooDrive, Hélio Garbin, a expectativa é de que a partir daí sejam vendidas, mensalmente, cerca de mil unidades da nova tecnologia em alcooteste. Racy explica que inicialmente o uso do alcoolímetro será apenas incentivado pelo Cedatt, especialmente entre empresas, que devem ver maior utilidade no aparelho.

"As empresas devem adotar o equipamento sem obrigatoriedade, uma vez que elas querem não só preservar seus equipamentos, como as cargas que carregam e principalmente as vidas", reflete o secretário. Fábio ressaltou que não há um caráter formal na recomendação do alcoolímetro pela Cedatt. Ele elucida que, apesar de serem vislumbradas uma série de utilidades para o equipamento a nível estadual, caberá apenas à Secretaria de Transportes decidir se haverá algum tipo de adoção do mecanismo legalmente. "Hoje [ontem] o acoolímetro foi apresentado pela primeira vez e já começam a ser pensadas inúmeras utilidades para ele. Imagine, por exemplo, se um caminhão passa pelo pedágio e faz o teste: se dá positivo, a Polícia Rodoviária é comunicada e o motorista é parado um pouco adiante. Isso alivia o constrangimento gerado ao parar muitos carros", defende Racy.

O uso do alcoolímetro é lei em países como França, Espanha e Suécia, e em cidades como Nova York, nos EUA. Em alguns casos a lei prevê que motoristas alcoolizados reincidentes sejam judicialmente obrigados a instalar o equipamento em seu automóvel. Custos No que diz respeito à viabilidade econômica do uso do aparelho no sistema de transporte estadual, Fábio Racy comenta que o aparelho é seis vezes mais barato que o bafômetro.

"Por ser mais barato, ele se torna um equipamento totalmente possível de ser utilizado e é uma tecnologia que permite de três a quatro mil testes sem calibragem, enquanto o bafômetro é calibrado a cada 20 assopros", diz o diretor do Cedatt. O diretor da AlcooDrive, Hélio Garbin, julga que as empresas adotarão este sistema de alcooteste porque é muito grande o índice de acidentes causados por direção alcoolizada de funcionários de empresas de transporte. A AlcooDrive cita uma pesquisa da Fundação Dom Cabral, do Rio de Janeiro, que indicou que 44% dos caminhoneiros têem o costume de ingerir bebidas alcoólicas na estrada.

"Na verdade a compensação econômica é absurda, dadas as perdas relacionadas a alcoolismo e trânsito no Brasil: tanto as perdas materiais quanto as de vida são enormes", argumenta Garbin. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o custo dos acidentes de trânsito no Brasil chega a R$ 22 bilhões por ano, segundo pesquisa divulgada em 2008. O valor inclui gastos médicos, hospitalares, de perda de renda, remoção e recuperação de veículos, administrativos, judiciais e previdenciários. Fraudes Uma vez sob o controle do motorista, o alcoolímetro veicular suscita uma série de indagações quanto a possíveis fraudes.

Duas são mais recorrentes: quanto à garantia de que o próprio motorista realize o teste e quanto ao ar que é soprado no mecanismo. "Não existe sistema infalível para nada no mundo", responde Garbin. Ele salienta, no entanto, que o alcoolímetro tem mecanismos antifraude, como sensores, na pipeta, que permitem identificar o tipo de ar que é soprado. Se o ar for proveniente de um mecanismo de sopro, por exemplo, o teste é invalidado. Além disso, o próprio aparelho 'pede' que o teste seja repetido, impedindo, de certa forma, que outra pessoa assopre.


 

 

 


Voltar para:
Notícias Segurança no Trânsito