Eficácia de diesel de cana é comprovada
Fonte: Webtranspo

Apontado por alguns estudiosos como um dos vilões quando o assunto é poluição do ar, o diesel deverá mudar este estereótipo nos próximos anos com o desenvolvimento de novas tecnologias que prometem fazê-lo “mais verde”. Isso será possível graças a estudos realizados atualmente pela companhia Amyris Brasil, subsidiária da Amyris Biotechnologies, Inc. - empresa norte-americana, especializada em produtos renováveis – que está desenvolvendo um diesel a base de cana-de-açúcar.

Neste cenário, a Mercedes-Benz, uma das maiores fabricantes de caminhões e ônibus do País, decidiu apoiar a ideia e está realizando testes para comprovar a eficiência do combustível em seus motores. Segundo a companhia, em análises realizadas em um veículo movido com 10% do novo produto e 90% de diesel tradicional, houve uma redução de 9% nas emissões de material particulado, sem aumentar em nada os níveis de NOx (Óxidos de Nitrogênio). Além disso, na mesma avaliação, o desempenho manteve-se igual ao do motor que usa diesel convencional. Sendo que, o uso do novo combustível, não exigiu nenhuma alteração na estrutura do equipamento.

Para Gilberto Leal, gerente de Desenvolvimento de Motores da Mercedes-Benz do Brasil, outro resultado dos testes com o novo diesel que merece destaque é a manutenção do desempenho tradicional do motor. “Nos ensaios comparativos, em que utilizamos 10% do novo diesel e 90% de diesel comercial, todos os parâmetros de controle do motor permaneceram exatamente iguais. Com isso, reforçamos nossa confiança no uso deste novo biocombustível. Ele se mostra como uma alternativa interessante, pois não requer alteração na estrutura da frota atual”, argumenta.

Além disso, para a montadora, outra característica fundamental apresentada pelo novo combustível é a manutenção do reduzido consumo. “Para nossos clientes, o diesel de cana será certamente uma opção a mais no uso de combustíveis alternativos”, diz Leal. De acordo com Jackson Schneider, vice-presidente de Recursos Humanos, Relações Institucionais, Jurídico e Compliance da companhia no Brasil, “o objetivo do projeto é diminuir a dependência dos combustíveis tradicionais”.

O executivo ainda aponta que os testes serão feitos de forma gradual. “Hoje, testamos com 10% do diesel à base de cana-de-açúcar. Em breve, este volume crescerá para 20% e assim, sucessivamente, até alcançarmos 100% do novo combustível”, explica Schneider, que também é presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Schneider destaca que a primeira fase dos testes já foram concluídas. Agora, serão iniciados os testes operacionais, nos quais alguns frotistas, tanto de caminhões quanto de ônibus, utilizarão o combustível em seus veículos, para verificar a eficácia do produto nas operações.

Questionado sobre quando o combustível chegaria às bombas brasileiras, o executivo aponta que não é possível estimar quando o novo diesel estará disponível ao mercado, pois há fatores ligados à produção e também à legislação que demandarão um tempo, mas garante que “o céu é o limite para esta nova tecnologia”, fazendo referência à principal vantagem do combustível: não haver necessidade de adaptações nos motores que já circulam no País.

CNTBio

Para auxiliar ainda mais a nova tecnologia, a CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) liberou, no último mês, o uso comercial da levedura geneticamente modificada para a produção de diesel com utilização de cana-de-açúcar.

Para a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), esta aprovação abrirá uma nova fronteira para expansão do setor sucroenergético brasileiro. “É um passo essencial para que diversos projetos que envolvem a produção de hidrocarbonetos a partir de cana-de-açúcar, hoje em desenvolvimento em diferentes partes do mundo, possam avançar”, comemora Alfred Szwarc, consultor em tecnologia e emissões da entidade.




Voltar para Notícias - Meio Ambiente