Pontes, viadutos e passarelas em péssimo estado nas cidades brasileiras

Fonte: G1

A cena é comum nas cidades brasileiras: pontes e viadutos com ferragens expostas, trincas, rachaduras e até árvores crescendo entre fendas.

Grandes obras de engenharia são marcas das cidades feitas em concreto. A maioria, um perigo. São viadutos e pontes que se desfazem sem manutenção. Alguns, mesmo reformados, vão precisar de obras sempre. O tempo, a maresia e o uso trabalham contra.

O impacto destruiu a parte da frente do carro, mas o estrago não foi provocado por uma batida de trânsito. José Roberto escapou por pouco depois que parte do reboco de uma passarela caiu sobre o veículo em uma das avenidas mais movimentadas do Rio de Janeiro.

“Dei muita sorte de não cair praticamente todo do meu lado. Deu para eu tirar e caiu do lado do carona, mas o estrago está aí”, relata José Roberto.

A passagem de pedestres está visivelmente deteriorada, e não é a única nesse estado na avenida. “Ela está muito acabada. Não só essa, acho que todas. Não sinto confiança”, observa uma senhora.

Grandes estruturas também sofrem com a falta de manutenção. No Centro de Belo Horizonte, um viaduto está com a mureta de proteção danificada. Outro espera por consertos na parte de baixo desde o ano passado.

Em Brasília, uma parte da Ponte JK cedeu e provocou um desnível. A solução de emergência foi fazer um calçamento na estrutura, mas até a obra definitiva o tráfego de caminhões foi proibido, e a velocidade teve que ser reduzida de 60 para 40 quilômetros por hora.

O Elevado do Joá, principal ligação entre as Zonas Oeste e Sul do Rio, é caminho obrigatório para milhares de moradores. São cerca de 80 mil carros por dia. Nem por isso, a construção recebeu toda atenção que deveria.

Os motoristas que passam sobre o Elevado do Joá não conseguem ver a situação embaixo. A estrutura tem vários sinais de desgaste, principalmente nas colunas de sustentação. Em muitas delas, o ferro está aparente e já começa a ser corroído pela ferrugem.

Segundo a prefeitura, alguns pilares já foram recuperados e novas obras dependem de licitação. Mas um estudo, encomendado pelo município a engenheiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revelou que o trabalho vai ser bem mais complicado.

Encravado na rocha, em uma região onde o mar bate forte, o viaduto construído há quase 40 anos sofre a ação permanente da maresia. Erros na concepção do projeto e a falta de conservação correta exigem agora uma série de reparos na estrutura. Mesmo assim, o Elevado do Joá não poderá ser usado por muito mais tempo.

“Podemos paralisar por um tempo a corrosão em alguns locais com certas medidas, mas esse estancamento da progressão da corrosão é provisório. Pode demorar de cinco a dez anos, assim como você não pode fazer isso em todo o viaduto. Nós indicamos a prefeitura que se comece hoje. A hora boa é agora para pensar na alternativa ao atual viaduto”, alerta Eduardo Batista, professor da Coppe da UFRJ.

O engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (Crea-RJ), Antônio Eulálio, especialista em pontes e grandes estruturas, diz que não é preciso ser engenheiro para identificar os sinais de perigo.

“Manchas brancas no concreto são o primeiro sinal. Segundo são manchas amareladas, que significam a corrosão dos ferros. Terceiro, parecem trincas que são fissuras no concreto. Em seguida, vai ocorrer o desplacamento, a queda de pedaços de concreto”, explica Antônio Eulálio.

De dentro do carro, o motorista atingido pelo reboco da passarela não conseguiu ver nada. “Se cai realmente para dentro de mim, agora eu era defunto. Não tem outra palavra. Estava no cemitério”, diz.

A prefeitura do Rio informou que já lançou edital para licitar as obras de recuperação da estrutura. Reforçou também que, segundo relatório da Coppe, o elevado não apresenta risco iminente de instabilidade.

 

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