Estudo aponta quase 700 pontos sujeitos a deslizamentos em SP

Fonte: G1

Sinais são evidentes nas margens dos morros e córregos da capital.
Nesta segunda (17/01/11), 16 bairros foram colocados em atenção para deslizamentos.

Estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) a pedido da Prefeitura apontou que 669 setores da capital estão sujeitos a escorregamentos e deslizamentos. Os sinais são evidentes nas margens dos morros e dos córregos. Com base nesse estudo, a Prefeitura diz que vai fazer intervenções nas áreas mais perigosas.

A Defesa Civil decretou nesta segunda-feira (17/01/11) estado de atenção em 16 bairros da capital por causa do risco de deslizamentos. A medida foi tomada devido a grande quantidade de chuva acumulada nos últimos dias.

A dona de casa Áurea Maciel vive numa dessas áreas na Zona Sul da capital. A casa dela está apoiada num barranco que ameaça ceder a qualquer momento. A moradia foi interditada pela Defesa Civil. Ela sabe que já deveria ter deixado o local, mas diz que espera ajuda para conseguir pagar um aluguel em outro lugar.

“Passa medo. A gente olha, para e chega a dar uma tremedeira, um buraco feio aqui. A gente fica se apegando com Deus, né? E vai ficando aqui até eles pagarem um aluguel para gente em outro lugar”, disse dona Áurea.

O estudo feito pelo IPT revela ainda que na capital 115 mil pessoas vivem em situação de extremo risco e que deveriam ser retiradas imediatamente de onde moram.

O estudo mapeou 407 áreas de São Paulo. Mais de 105 mil moradias correm risco. Só na Zona Norte são 107 áreas perigosas. A Zona Sul é a que tem o maior número de áreas de risco: 176. Quase 30 mil moradias estão num local considerado de risco extremo, de onde as pessoas devem ser retiradas imediatamente.

No Jardim Paraná, na Zona Norte de São Paulo, fica fácil entender a angústia dos moradores. São centenas de famílias vivendo em situação precária e perigosa. É assim também no bairro ao lado.

Um plástico foi colocado pelos próprios moradores na tentativa de segurar toneladas de terra e impedir uma tragédia no Jardim Guarani, também na Zona Norte da capital. Quem vive na parte mais baixa não tem sossego. “Eu moro aqui com isso aí. Quem não fica nervoso?”, indagou a dona de casa Nilda Silva de Sá.

Em um ponto do bairro, um deslizamento aconteceu faz uma semana, mas a lama continua no meio da rua. Na parte de cima do morro, seis casas ameaçam desabar. Apesar do perigo, os moradores não pensam em deixar o lugar. “Medo a gente tem um pouquinho, né? Mas a gente entrega na mão de Deus”, afirmou o eletricista Jurandir Soares.


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