Ozônio faz aumentar índice de poluição em São Paulo


A gigantesca frota que circula nas grandes cidades causa dois tipos de problema. O primeiro pode ser visto nos intermináveis engarrafamentos, que entopem as ruas e avenidas. O segundo é invisível, paira no ar e só vai ser percebido a longo prazo. É um perigo para a saúde. Os pulmões da cidade estão bem doentes. Em 2011, os índices de poluição do ar atingiram os piores índices dos últimos oito anos. O grande vilão foi o ozônio.

O inimigo é invisível. Não tem cara, não tem cheiro, não tem cor e faz um mal danado. “Não sei o que é ozônio”, diz uma senhora. Muitos não fazem nem ideia do mal que ele faz. “Ozônio? É o gás que envolve a Terra”, responde um senhor.

Não se trata daquele ozônio da camada que protege a Terra dos raios ultravioleta, e sim do mau ozônio, que fica embaixo, pertinho de nós, formado a partir da queima de combustíveis. “Como é que a gente faz pra tirar ele daqui?”, pergunta uma senhora.

Aí é que está o problema. Vivemos em uma cidade com uma frota gigantesca. São mais de sete milhões de veículos. Eles entopem as ruas e provocam congestionamentos todos os dias. Cada vez que ligamos o carro, o escapamento já está jogando poluentes na atmosfera. Em São Paulo, a inspeção veicular força o motorista a andar com o motor regulado, mas isso não é suficiente.

O sinal vermelho ascendeu. Dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), a companhia ambiental do estado de São Paulo, mostram que no ano passado o ozônio passou do limite em 96 dias, coisa que não acontecia há oito anos.

O ozônio é medido em estações automáticas, que ficam dentro de “casinhas”. O ar é sugado para dentro de um tubo e analisado a cada cinco segundos. O dia ainda não terminou, mas a previsão é de que o ozônio fique acima dos limites aceitáveis, porque é exatamente num dia de muito sol que esse poluente pega.

“Nós temos muito sol. É uma cidade muito quente que tem um potencial de formação de ozônio bastante alto. Até que a gente tenha tecnologias limpas que nos permitam, de fato, não ter essa emissão de óxido de nitrogênio, de poluentes que formam o ozônio, nós devemos ter esse problema na Grande São Paulo”, afirma Carlos Lacava, meteorologista da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).

Trata-se de uma má notícia para a saúde de quem vive na Grande São Paulo e que, às vezes, nem sabe que virou uma vítima da poluição.

“Vai afetar os olhos quando a gente entra em contato com ele. Piora a qualidade da lágrima, dando conjuntivite. O nariz, a garganta, ele é especialista em provocar infecções, como rinites e otites. Os asmáticos passam muito pior nesse período. Ele está relacionado também com um pouquinho de risco de pneumonia, principalmente em crianças e idosos. Em idosos, ele pode estar associado com maior frequência de infartos agudos do miocárdio”, alerta Paulo Saldiva, coordenador do laboratório de poluição da Universidade de São Paulo (USP).

Nem a vegetação escapa dos efeitos ruins dos poluentes. “Ele destrói as folhas e faz com que a produção seja menor. Uma coisinha amarela [indica] perda da clorofila das células e uma porção centralzinha, escura, que é necrose. É célula morta. É como se eu tivesse uma cicatriz, uma ferida na folha”, acrescenta Paulo Saldiva, pesquisador da USP.

Tem uma dica bem interessante: deixar para abastecer de manhã bem cedinho ou no fim do dia, para que o vapor do combustível junto com o calor do sol não entre em reação química e forme o mau ozônio. Também dá para se proteger. É só evitar ficar exposto ao sol forte.

“Ele é produzido logo de manhã. Começa às 10h, vai atingir um pico por volta de 14h e vai começar a cair por volta de 16h ou 17h. Ou seja, você pode se proteger do ozônio evitando estar ao ar livre. Se puder nesse horário, porque o ozônio também penetra pouco nas casas”, orienta Paulo Saldiva, da USP.


Fonte: G1

 

 

 

Voltar para:
Notícias - Meio Ambiente