Rodovias investem em asfalto reciclado com pneus


Desde o começo do ano, é lei no Estado de São Paulo. As rodovias paulistas precisam utilizar asfalto enriquecido com borracha pulverizada proveniente de pneus inservíveis.

O projeto, do deputado Reinaldo Alguz (PV), baseou-se na preocupação com a produção excessiva de resíduos sólidos e na busca de uma destinação adequada para as mais de 320 mil toneladas de pneus coletados no país, volume que equivale a 64 milhões de unidades de pneus de carros de passeio.

A prática de utilizar a borracha dos pneus no asfalto já vem ocorrendo desde que a patente que protegia a tecnologia venceu nos Estados Unidos há doze anos.

A Rodovia dos Bandeirantes, no trecho entre Campinas e São Paulo, sentido Capital, já está pavimentada com a mistura de massa asfáltica com borracha obtida a partir desses pneus que não são mais usados.

E a concessionária Ecovias, que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, utiliza o material em mais da metade de todo o pavimento das rodovias administradas.

Por sua vez, a pioneira Univias adotou essa prática há mais de dez anos na BR-116. E o governo do Rio de Janeiro recebeu o prêmio internacional da associação Rubber Pavements pela utilização ambientalmente correta de asfalto-borracha na Rodovia RJ-122.

O sucesso levou o governo estadual a assinar no ano passado um decreto, autorizando o uso da nova tecnologia em todas as rodovias estaduais do Rio de Janeiro.

Vantagens
Atualmente, 63% dos pneus inservíveis são utilizados como fonte de energia em fornos de cimenteiras em substituição ao coque de petróleo.

Os outros 37% são reutilizados em diferentes finalidades: fabricação de solados de sapatos, borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, tapetes de automóveis e manta asfáltica.

A Petrobras também incorpora no processo de extração de xisto betuminoso, pneus moídos que garantem menor viscosidade ao material. Para compor o asfalto-borracha, os técnicos usam o pneu triturado até virar pó (uma espécie de farinha preta), misturado ao asfalto compactado a quente. A última etapa é adicionar pedra ou brita ao material e aplicar na estrada.

A receita pode parecer simples, mas exigiu o empenho dos fabricantes que desenvolveram diversos materiais levando em conta as características das estradas nacionais e padrões de espessura e composição.

No caso da Ecovias, que aplica o material em regiões das rodovias Imigrantes e Anchieta, e na Cônego Domênico Rangoni, a concessionária desenvolveu sua própria usina de asfalto, capaz de fabricar tanto o produto comum como o asfalto-borracha.

Segundo Guilherme Bastos, gerente de obras da AutoBan, o asfalto-borracha aumenta a vida útil do asfalto.

A durabilidade varia de acordo com as condições da estrada, a temperatura e clima da região, assim como a intensidade do tráfego. Bastos calcula que o asfalto borracha é 25% a 30% mais caro, mas dura 30% mais do que o asfalto normal.

"Em relação ao cimento asfáltico de petróleo (cap), como é chamado o produto normal, o misturado com borracha é mais flexível, aumenta a aderência do veículo, melhora a segurança e reduz o spray, que é a água que o carro da frente lança no para-brisa do veículo que vem atrás", diz o engenheiro.

"Em consequência, diminui o número de intervenções na rodovia, perturbando menos o usuário." Outra vantagem é que ele gera menos ruído.

Mais ações
No caso da repavimentação da Bandeirantes, a concessionária optou por mais uma ação com viés de sustentabilidade. A AutoBan refez a pista com a reciclagem do asfalto velho, triturado e enriquecido com cimento e pó de pedra em usinas móveis.

"Deixamos de jogar em aterro 84 mil metros cúbicos de material como pedras e restos de asfalto", diz Bastos.

Na parte superior do revestimento da pista foi aplicado o asfalto com borracha proveniente da moagem de pneus - para 600 quilômetros de rolamento, foram aproveitadas 3.100 toneladas de borracha, ou 450 mil pneus.

Fonte: Brasil Econômico

 

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