TRT ingressa no Fórum de Saúde e Segurança no Trabalho do Estado de Goiás


Durante a realização do 8º Seminário sobre Saúde e Segurança no Trabalho, realizado sexta-feira, 27/4, o TRT assinou o termo de ingresso no Fórum de Saúde e Segurança no Trabalho do Estado de Goiás, entidade que conta com quase 70 instituições participantes e tem como objetivo disseminar boas práticas em relação ao trabalho seguro e alertar sobre riscos a que são submetidos alguns trabalhadores no desempenho cotidiano de suas atividades.

O seminário contou com a presença do médico do trabalho Zuher Handar. O seminário aconteceu no auditório do Fórum Trabalhista de Goiânia e contou com a participação de um público de cerca de 400 pessoas, formado por profissionais ligados à área da saúde e do direito, além de estudantes universitários. Já em sua oitava edição, o seminário foi idealizado em memória às vítimas de acidente de trabalho, sendo realizado sempre no dia ou na véspera do Dia Mundial de Saúde e Segurança no Trabalho, 28/4, data escolhida em razão de um acidente que matou 78 trabalhadores em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, em 1969.

Ao fazer a abertura do encontro, o coordenador do Fórum, procurador-chefe da PRT em Goiás Januário Ferreira, lembrou que o evento também estava sendo realizado em comemoração ao décimo aniversário do Fórum, que foi instalado em 2002 pelo então procurador e hoje desembargador federal do trabalho Elvecio Santos, que participou do encontro. O desembargador lembrou que a proposta era a de transformar o cenário do universo do trabalho por meio da mudança de mentalidade, em que a prevenção estivesse em primeiro plano.

Assinatura do termo

Ao término do ato de abertura dos trabalhos, o TRT de Goiás foi convidado a assinar o termo de ingresso no Fórum de Saúde e Segurança no Trabalho do Estado de Goiás. O documento foi firmado pelo presidente, desembargador Mário Bottazzo, pelo coordenador Januário Justino e pelo desembargador Elvecio Santos.

Na ocasião, o presidente do TRT fez a leitura do manifesto da Agenda Goiana do Trabalho Decente, em que foi destacada a dignidade como o núcleo central de todas as ações e políticas voltadas ao trabalhador. “Só há justiça social se os trabalhadores forem protegidos contra doenças gerais ou profissionais e contra acidentes de trabalho” e se o “salário garantir condições de subsistência adequada”, entre tantas outras condições que, se ausentes, implicam “a injustiça, a miséria e as privações, o que gera um descontentamento tal que a paz e a harmonia universais são postas em risco”, constou no documento.

Ainda, o manifesto serviu para alertar sobre o acidente de trabalho, lembrando da iniciativa da Justiça do Trabalho, capitaneada pelo TST, com a implementação do Programa Nacional de Prevenção de Acidente de Trabalho, e alertou sobre o risco da jornada excessiva, que pode causar um dano existencial, comprometendo o convívio familiar, a saúde e os projetos de vida do trabalhador.

Diagnosticar para prevenir

Durante palestra sobre os fatores psicossociais do acidente do trabalho, o médico do trabalho Zuher Handar, de Curitiba (PR), afirmou que a maior dificuldade para prevenir o acidente do trabalho está na elaboração do diagnóstico, de conhecer as causas e fenômenos que levam ao acidente ou adoecimento do trabalhador.

Para ele, as condições físicas do meio ambiente do trabalho somadas às condições psicossociais, como o receio de perder o emprego, a reestruturação econômica e baixos salários, podem também levar o trabalhador a transtornos mentais, como depressão e estresse, e esses transtornos são também doenças relacionadas ao trabalho. Zuher Handar afirmou que atualmente o trabalhador sofre mais com doenças do que propriamente com acidentes do trabalho.

De acordo com as estatísticas
apresentadas durante a palestra, por ano, são contabilizados dois milhões de doenças e 321 mil acidentes relacionados ao trabalho. São as doenças ocupacionais e, particularmente, os transtornos mentais que têm elevado esse número. Contudo ainda são poucos os casos notificados. Veja quadro:

Emissão de CATs de acordo com o número de ocorrências:
Foram notificados:

- 94,6% dos acidentes
- 27% dos casos de tenossinovite
- 6, 4% dos casos de depressão ocupacional



Notícia enviada por Carla Maria.


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