Película que escurece vidro de carro tem limite, mas motoristas abusam


A legislação afirma que o vidro dianteiro do veículo só pode ser escurecido em 25%, mas tem muito motorista abusando e, pior, fazendo isso com a ajuda de instaladores.

Todos os dias, recebemos dos telespectadores comentários e sugestões de reportagens. Uma dúvida recorrente é sobre o uso daquela película que escurece os vidros dos carros. Ela é segura, é legal? A legislação afirma que o vidro dianteiro só pode ser escurecido em 25%. Mas nós sabemos que tem muito motorista abusando, e pior, fazendo isso com a ajuda de instaladores. É uma infração grave, que pode provocar acidentes.

Quem está fora não vê quem dirige. “Protege mais e dá mais segurança, porque evita o bandido de abordar de frente”, comenta um motorista.

“Esse tipo de vidro é chamado de película refletiva. E não pode ser usado. Por chamar a atenção de outros condutores, por causar um reflexo na hora que você vai atravessar, pode trazer alguns problemas”, aponta o Major Joselito Sarmento de Oliveira Jr, da Polícia Militar.

De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito, a película do pára-brisa deve ter transparência de 75%. Nas janelas do motorista e do carona, 70%. E nos vidros traseiros, 28%. Quem desrespeitar a lei leva multa de R$ 127 e cinco pontos na carteira.

A cidade de São Paulo tem uma frota de sete milhões de carros. Muitos estão com os vidros mais escuros que o permitido, mas poucas são as multas para motoristas com insulfilm. No ano passado foram apenas sete mil.

“Já levei enquadro da polícia. Meio que me chamaram a atenção e pediram para eu nunca mais andar com o vidro fechado quando chegar próximo deles. Mas não mandaram tirar. A polícia não multou e mandou eu seguir”, conta uma mulher.

“Realmente, é um número pequeno. Nós estamos nos aperfeiçoando para chegar a uma melhor produtividade nesse sentido”, comenta o Major Joselito Sarmento de Oliveira Jr, da Polícia Militar.

Em uma oficina, de cada dez carros que chegam, oito saem com a película irregular. E os motoristas ainda contam com a ajuda dos instaladores para enganar a polícia.

Na película, deve ser aplicado um carimbo em relevo com a porcentagem de transparência, mas na prática quem define é o cliente, diz um instalador que não quer se identificar: “Aqui é o que o cliente manda. Às vezes, o cliente pede uma película mais escura do que o permitido e pede para por o carimbo permitido”.

“A fiscalização do policial é visual. Então, se o policial encontrar o veículo com a chancela estabelecendo os limites permitidos, ele se baseia nessa película, nessa chancela para a fiscalização. Nós acreditamos na boa fé do instalador e também do condutor”, diz o major da Polícia Militar.

Em São Paulo, a PM tem equipamentos que medem a transparência dos vidros, mas ainda são pouco usados. “Nós compramos equipamentos para a fiscalização e estamos ainda em teste”, diz Joselito Sarmento de Oliveira Jr.

Os especialistas e a polícia dizem que à noite a película escura atrapalha muito a visibilidade. O motorista tem dificuldades para enxergar obstáculos e pedestres. Quem for parado infringindo a lei, tem que retirar a película na hora. Caso contrário, o policial deve recolher o documento do veículo.

 

Fonte: G1

 

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