Fundacentro discute educação em segurança química
Objetivo é construir termo de referência para propor a inclusão do tema no ensino técnico e superior

A Fundacentro realizou em São Paulo o Seminário sobre Educação em Segurança Química em 10 de setembro. O evento faz parte de uma série de três atividades para fundamentar a discussão de um termo de referência para a inclusão da educação em segurança química no ensino superior e técnico. A primeira atividade ocorreu em Brasília/DF em 31 de julho. A próxima será realizada no Rio de Janeiro/RJ em 18 de novembro.

Profissionais de SST e educadores da área participaram do debate e aprofundaram as discussões sobre segurança química por meio das palestras realizadas. “Queremos ouvi-los e levar essa formação para os cursos profisionalizantes, como os de técnico de segurança e técnico em química, e superiores”, afirma Fernando Sobrinho, coordenador do Programa de Segurança Química da Fundacentro.

“Cada seminário é um passo que damos, e temos uma compreensão melhor do desafio. Temos que fazer a sensibilização com os departamentos de químicas das universidades”, completa Newton Richa, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Ambos fazem parte do Grupo de Trabalho da Comissão Nacional de Segurança Química – Conasq, responsável pela elaboração do Termo de Referência de Educação em Segurança Química.

“Como professor que sou, enfatizo a importância da disseminação de conhecimento. Padecemos de informação em todos os níveis. Um dos pilares da instituição é a disseminação de conhecimento, que deve ter ações na base”, afirmou o diretor da Fundacentro, Robson Spinelli, apoiando a iniciativa.

Histórico

O engenheiro Fernando Sobrinho foi um dos palestrantes do seminário e traçou um panorama das ações em prol da segurança química no Brasil e no mundo. Se nos anos 40, na Europa, as pessoas eram até pulverizadas com DDT, atualmente, essa e outras substâncias são proibidas. A Conferência de Estocolmo de 1972 e a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma marcam essa evolução.

Outro marco é a Eco 92 e a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que trouxe o princípio da precaução, e a Agenda 21, que mostrou o manejo saudável das substâncias químicas. Já na Rio + 10, houve a Declaração de Joanesburgo, que prevê a implementação da gestão segura de substâncias químicas até 2020. Para isso, em 2006, foi criado o Sistema Estratégico para o Gerenciamento Internacional de Substâncias Químicas – Saicm.

Sobrinho também falou sobre as Convenções: 170 (produtos químicos) e 174 (acidentes ampliados) da Organização Internacional do Trabalho - OIT; de Basileia sobre resíduos perigosos; de Roterdã sobre o comércio internacional de substâncias químicas; e de Estocolmo sobre POPs (Poluentes Orgânicos e Persistentes), que está em implementação no Brasil.

Ainda sobre as atividades no país destacou os trabalhos das Comissões de Estudos Tripartites OIT 174; Nacional do Benzeno, NR 20 (Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis), entre outras. Também houve um avanço na discussão para a ratificação da Convenção de Minamata, sobre o mercúrio, com a realização do Seminário sub-regional para ratificação em Brasília, de 2 a 4 de setembro. Já outro produto a ser banido é o perfluoroctano, mas o Brasil poderá utilizá-lo em produto que combate saúvas na agricultura.

Outras discussões


O Seminário ainda contou com a gerente da Coordenação de Educação da Fundacentro, Sonia Bombardi, que falou sobre a educação dentro da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho – PNSST. A Fundacentro tem atuado para incluir a SST de forma transversal em diversos níveis de ensino.

Newton Richa, da UFRJ, em sua palestra, refletiu sobre a construção do termo de educação em segurança química e trouxe alguns conceitos de educação preconizados pela Unesco, que recomenda 4 pilares de aprendizagem – ser (competência pessoal), saber (competência cognitiva), fazer (competência produtiva) e viver junto (competência social).

Já Luiz Harayashiki, da Associação Brasileira da Indústria Química - Abiquim, apresentou a estratégia global de produtos – GPS, uma ferramenta para avaliação de riscos químicos. A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) foi representada por Josélia Brito Serber, que apresentou o trabalho da instituição sobre segurança química em pequenas empresas.

Agnaldo de Vasconcellos, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – Cetesb/SP, abordou a questão da educação ambiental. Daniela França, farmacêutica bioquímica da mesma instituição, retratou a segurança em laboratórios. Por fim, o representante do Conselho Regional de Química - IV Região - CRQ, Aelson Guaita, tratou do tema responsabilidade técnica e apresentou um manual.

O evento foi realizado em parceria com a Comissão Nacional de Segurança Química – Conasq. Os materiais apresentados serão disponibilizados no site da Fundacentro, na área Eventos Realizados.

Fonte: Fundacentro
Por ACS/C.R. em 12/09/2014



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