42,6% dos caminhões são autuados em operação do Ipem
PortoGente, 03/02/2009

O Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem) realizou na última semana a Operação Verão 2009. Entre as várias atribuições dos técnicos da autarquia, a vistoria de caminhões que transportam produtos perigosos pelas estradas paulistas rumo aos portos de Santos e São Sebastião. A principal surpresa ficou por conta do balanço do programa. Em apenas três dias, 61 caminhões foram analisados e 42,6% deles (ou 26 veículos) foram autuados pelo Estado.

Para completar, 20 desses 26 caminhões perderam definitivamente a licença para o transporte de produtos perigosos e, se seus proprietários quiserem reverter o caso, terão de ter muito trabalho pela frente. O chefe da divisão de produtos perigosos do Ipem, Valdir Volpe, conversou com o PortoGente e elencou as irregularidades mais comuns: pontos de corrosão nas rodas, vazamento na tubulação de descarga, rodas com trincas e mangueiras dos freios com rachaduras.

Porém, outros dois fatores chamaram ainda mais a atenção dos técnicos do Ipem, em especial de Valdir Volpe: o uso indiscriminado do modal rodoviário para todo e qualquer tipo de movimentação de cargas perigosas – o que aumenta o risco de graves acidentes nas estradas – e o uso de tanques de caminhões para um produto tóxico e, posteriormente, esse mesmo tanque estar transportando um alimento ou outro tipo de mercadoria.

“O que posso dizer é que o transportador precisa estar sempre preocupado com a manutenção do seu veículo. Só que alguns sequer conhecem os regulamentos e nem sabem o que devem fazer para cumprir a lei. Fica claro que o excesso do uso do modal rodoviário potencializa o risco de mais acidentes nas estradas, quem sabe envolvendo até mais vítimas. Em outros países, as ferrovias são usadas para isso, dão segurança aos produtos perigosos e aliviam as estradas”, diz o chefe do Ipem.

Por conta do nicho ferroviário ainda não explorado, mas com grande potencial para tal, Valdir Volpe antecipou ao PortoGente que já há um estudo onde o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pode se tornar o órgão responsável pela fiscalização do que é embarcado nos vagões de trens. Hoje, o pouco que é transportado pelos trilhos brasileiros é regulamentado pela própria concessionária da ferrovia, aumentando o risco de problemas.

“No entanto, isso é uma possibilidade que está sendo estudada pelas autoridades envolvidas no assunto, sem um prazo fixado para se tornar realidade. O fato é que há um decreto no modal ferroviário em que, parafraseando um antigo ditado, o cachorro fica responsável por tomar conta da linguiça e isso não dá certo. Discutir isso desde já é muito importante, pois o transporte por rodovias precisa de rotas alternativas. Todo mundo só pensa no caminhão para transportar tudo”.

No encerramento da entrevista, o chefe da divisão de produtos perigosos do Ipem fez um alerta: os riscos no transporte de mercadorias perigosas são um problema nacional, não só restrito a São Paulo, campo de atuação do Ipem. “Cada estado tem a sua autarquia ou o Inmetro operando. Todavia, em todos os problemas se repetem, as transportadoras deixam de lado a manutenção de seus caminhões e os caminhoneiros ficam expostos. Só com fiscalização isso vai mudar”, crava Volpe.

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Fiscalizações de Produtos Perigosos